Valdemar, PL e Lula: quando a “direita” se curva ao sistema que diz combater
- Rogerio Perestelo
- 8 de ago.
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Por Rogério Perestelo
Segundo o Jornal da Cidade Online, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, retirou a legenda do major da ativa Emmanuel Novaes, pré-candidato a deputado federal em Roraima, após pedido do ministro da Defesa de Lula, José Múcio Monteiro. O militar tinha como principal bandeira críticas duras ao alto comando das Forças Armadas, que ele chama de “melancias”. A decisão mostra o alinhamento do comando do PL com os interesses do governo Lula e do estamento militar de cúpula.

Quando um partido que se vende como “a grande oposição a Lula” começa a obedecer pedido de ministro de Lula para retirar candidatura incômoda, algo está profundamente errado. O caso do Major Emmanuel Novaes, em Roraima, escancara a distância entre a direita que está na internet e a direita que comanda as máquinas partidárias.
Valdemar tira candidato do PL para atender pedido de ministro de Lula. Isso importa porque mostra, mais uma vez, que no Brasil a sigla muda, o discurso muda, mas o sistema permanece intacto.
Emmanuel Novaes é major da ativa e piloto de caça, em pré-campanha para deputado federal pelo PL em Roraima. Sua principal bandeira é atacar o alto comando das Forças Armadas, que ele chama de “melancias”: verdes por fora, vermelhos por dentro. Esses alvos são justamente os oficiais-generais que, pela função, mantêm relação próxima com o governo Lula. O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, teria pedido a Valdemar Costa Neto que retirasse a legenda do militar.
A hipocrisia de uma “direita” de joelhos
De um lado, um governo de esquerda, com Lula e José Múcio, incomodado com um militar de dentro da estrutura, ousando expor a “casta fardada” de cima.
Do outro, um partido que posa de oposição, mas que corre para apagar o incêndio assim que o ministro reclama.
Isso é o retrato perfeito de uma falsa oposição. A mesma cúpula partidária que grita contra censura do STF e do governo trabalha, internamente, para censurar o próprio filiado quando ele passa do “limite aceitável” definido pelos poderosos.
O que se vê aqui não é a aplicação de lei; é a aplicação de conveniência. Afinal, se houve quebra de hierarquia ou sigilo, existe Código Penal Militar, existe regulação, existe instância própria. Agora, Não foi o Alto Comando abrindo sindicância pública, com transparência; foi um ministro político ligando para o presidente de um partido que, em tese seria rival, e este obedecendo.
Pra mim está na cara que isso não é Estado de Direito funcional: É um sistema se protegendo.

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